Beats N' Lights

Posicionamento | Spotify: você sabe com quem você está falando?

Por Eduardo Ramos 

A indústria fonográfica atual é uma nova indústria. Termos do passado como direitos fonomecânicos são ligados diretamente ao suporte físico da música e mesmo a palavra fonograma? Tem ligação ao fonograma, portanto o disco, aquela coisa redonda de plástico. Viver neste mundo é viver em um mundo limitado e cheio de nostalgia.

A maior loja de discos da história da humanidade tem o nome de Spotify. Apesar de ser legal, ter uma linguagem moderna, pessoas interessantes trabalhando e estratégia que olha para frente, o Spotify é uma loja de discos. O seu disco não está lá? Então você está fora da maior loja de discos. Caso o seu interesse seja apenas fazer mais “gigs” (palavra horrível) e ser DJ, pare de ler este textom ele não diz respeito a você. Caso você seja um produtor/músico e pretende ter uma carreira fora do circuíto de festas, continue.

Imagina que você recebe uma ligação da TV Globo, nesta ligação você é convidado a tocar em qualquer programa da emissora. Você concorda que se falar que quer tocar no Faustão é nada a ver? Imagina a vergonha? Este é o atual problema com o Spotify: pouca gente do mercado da música eletrônica brasileira usa a plataforma e na maioria acha que merece destaque… Mas aonde?

O Spotify responde por um mercado gigantesco do streaming no Brasil. Não existem dados oficiais, mas no caso da música eletrônica diria que do mercado pago deve chegar a 85%. Quando você entrega seu conteúdo para uma distribuidora digital, ela entrega para todos e todos os players tem seu nicho e importância, mas hoje o Spotify é o lider e pode acreditar que o seu público está lá.

E como fazer a coisa para funcionar? Você tem um release schedule? Quem distribui seus discos? Você tem acesso ao Spotify for Artists? Quantos ouvintes mensais você tem? Você posta o que no seu Facebook? Você promove seus discos em qual plataforma? Qual seu próximo passo? Qual a sua música que mais teve plays? Seu playlist está atualizado? Qual é a sua referência dentro da plataforma? Quanto dinheiro você ganhou? Quanto tempo você gasta com o Spotify por semana?

Todas estas perguntas são as perguntas que eu faço para qualquer artista que vem falar comigo. Enquanto que tranquilamente se gasta 3000 reais por mês com alguém cuidando das suas selfies, 1000 reais com downloads, 500 reais com packs de samples, pouco se gasta (seja tempo ou dinheiro) na tal loja.

E digo mais, o Youtube é maior que o Spotify e pior: paga menos, é mais complexo, tem mil detalhes e tem um jogo que custa muito mais caro. A pior coisa que alguém pode falar é: penso o tempo todo em minha carreira. Destas 168 horas semanais a minha pergunta é: quanto tempo você passa entendendo o Spotify e o Youtube? Existem alguma contas malucas sobre quantas horas uma pessoa precisa para ser especialista em um assunto. Estes dias eu li que você precisa ter 300 obras para começar a ser bom no que faz (ou seja em nosso caso aqui… 300 músicas, mixes, vídeos, remixes), mas raramente encontro alguém que gasta, analiticamente, 1 hora com o Spotify.

Uma vez eu li que música é algo simples e divertido. Mesmo quando é horrível, é música e é diversão. 90% da música pode dar certo se for original é ainda isso ainda se torna mais fácil. Hoje existe uma democratização dos meios, mas raramente as pessoas sentam para usar a ferramenta.

Quer dar certo? Aprende a falar inglês, aprende a olhar o que está acontecendo ao seu redor. Saia do Instagram para ver o que os outros estão fazendo. Comece a anotar coisas que são legais nas carreiras dos outros que você admira. Tanto faz se sua referência é o Alok ou o Aphex Twin, ambos tem uma maneira de se comunicar própria. A pergunta é: você sabe com quem você está falando?

 

Conteúdo é tudo.

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